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Quarta-feira, Dezembro 31, 2003
"QUE TUDO SE REALIZE NO ANO QUE VAI NASCER"
Amém!
Terça-feira, Dezembro 30, 2003
Segunda-feira, Dezembro 29, 2003
Perguntei a uma criança 11 anos se
ela sabia o que era o arco-íris.
Em minha cabeça planejei
respostas mirabolantes.
Algo como o prisma da água,
o Disco de Newton,
O ângulo de incidência relativo à normal.
Essas coisas que aprendemos no colégio.
E ela, ela me respondeu que sim:
Que o arco-íris era vento colorido.
Disse tudo.
Minha cabeça, na hora parou pra pensar.
E realmente
Acho que ela tinha razão.
O Arco-íris nada mais é que
vento colorido
de bolinha de sabão!
Terça-feira, Dezembro 16, 2003
Eu só quero saber em qual rua minha vida vai encostar na sua
pra eu não passar por lá!
UM POETA QUE CHORA
Ah, esse poeta que vos fala...
Sente-se como criança em desespero.
Órfão de seus sonhos, desejos e anseios,
adotado pela melancolia e angústia de alma
e carne.
Rasga como o grito de criança assustada
pelos adultos com o "homem do saco".
Chora feito o menino que
não ganhou o presente que queria.
Sente na pele arrepiada o mar,
que desmorona seu castelo de areia.
Ah, meu Deus!
Como são infantis esses poetas!
Olham os adultos e querem ser como eles.
São olhados e invejados
por esses mesmos adultos que
não têm coragem de ser o que eram.
Coçam a orelha, cultivam flor, semente de
feijão envolta em algodão,
pensam ser astronalta quando crescer e,
num relance, percebem que já cresceram.
Mãe! Manhêêê!!!!
Apaga a luz não.. tô com medo de pesadelo...
Tô chorando, criança.
Tô chorando lembrança.
Joguei bola hoje e e esfolei o joelho.
Fingi não sentir dor. Mas não sei fingir
por muito tempo.
Logo perceberam e eu chorei.
Chorei desesperadamente.
Chorei como choram as crianças, ali. No campinho.
As outras crianças ficaram me olhando.
Por pouco tempo.
Logo depois o jogo recomeçou.
Fiquei lá: um poeta chorão.
Um poeta criança de si, que
desespera, anseia, corre, grita,
sua e ainda espera pelas
figuras míticas inventadas
por adultos como forma de
suprimento do vazio que carregam
no peito (e não sabem administrar).
Fiquei lá.
Um poeta.
Sexta-feira, Dezembro 12, 2003
Bem, um conto da Clarice Lispector que eu gosto muito...
Cem anos de perdão
Quem nunca roubou não vai me entender. E quem nunca
roubou rosas, então é que jamais poderá me entender.
Eu, em pequena, roubava rosas.Havia em Recife inúmeras
ruas, as ruas dos ricos, ladeadas por palacetes que ficavam
no centro de grandes jardins. Eu e uma amiguinha brincávamos
muito de decidir a quem pertenciam os palacetes. "Aquele branco
é meu." "Não, eu já disse que os brancos são meus." Parávamos
às vezes longo tempo, a cara imprensada nas grades, olhando.
Começou assim. Numa dessas brincadeiras de "essa casa é minha",
paramos diante de uma que parecia um pequeno castelo. No fundo
via-se o imenso pomar. E, à frente, em canteiros bem ajardinados,
estavam plantadas as flores.
Bem, mas isolada no seu canteiro estava uma rosa apenas
entreaberta cor-de-rosa-vivo. Fiquei feito boba, olhando
com admiração aquela rosa altaneira que nem mulher feita
ainda não era. E então aconteceu: do fundo de meu coração,
eu queria aquela rosa para mim. Eu queria, ah como eu queria.
E não havia jeito de obtê-la. Se o jardineiro estivesse por ali, pediria
a rosa, mesmo sabendo que ele nos expulsaria como se expulsam
moleques. Não havia jardineiro à vista, ninguém. E as janelas,
por causa do sol, estavam de venezianas fechadas. Era uma rua onde
não passavam bondes e raro era o carro que aparecia. No meio do
meu silêncio e do silêncio da rosa, havia o meu desejo de possuí-la
como coisa só minha. Eu queria poder pegar nela. Queria cheirá-la
até sentir a vista escura de tanta tonteira de perfume.
Então não pude mais. O plano se formou em mim instantaneamente,
cheio de paixão. Mas, como boa realizadora que eu era, raciocinei
friamente com minha amiguinha, explicando-lhe qual seria o seu papel:
vigiar as janelas da casa ou a aproximação ainda possível do jardineiro,
vigiar os transeuntes raros na rua. Enquanto isso, entreabri lentamente
o portão de grades um pouco enferrujadas, contando já com o leve
rangido. Entreabri somente o bastante para que meu esguio corpo de
menina pudesse passar. E, pé ante pé, mas veloz, andava pelos
pedregulhos que rodeavam os canteiros. Até chegar à rosa foi um
século de coração batendo.
Eis-me afinal diante dela. Para um instante, perigosamente, porque
de perto ela é ainda mais linda. Finalmente começo a lhe quebrar o
talo,arranhando-me com os espinhos, e chupando o sangue dos dedos.
E, de repente - ei-la toda na minha mão. A corrida de volta ao portão
tinha também de ser sem barulho. Pelo portão que deixara entreaberto,
passei segurando a rosa. E então nós duas pálidas, eu e a rosa,
corremos literalmente para longe da casa.
O que é que fazia eu com a rosa? Fazia isso: ela era minha.
Levei-a para casa, coloquei-a num copo d'água, onde ficou soberana,
de pétalas grossas e aveludadas, com vários entretons de rosa-chá.
No centro dela a cor se concentrava mais e seu coração quase parecia
vermelho.
Foi tão bom.
Foi tão bom que simplesmente passei a roubar rosas. O processo era
sempre o mesmo: a menina vigiando, eu entrando, eu quebrando o talo e
fugindo com a rosa na mão. Sempre com o coração batendo e sempre com
aquela glória que ninguém me tirava.
Também roubava pitangas. Havia uma igreja presbiteriana perto de casa,
rodeada por uma sebe verde, alta e tão densa que impossibilitava a
visão da igreja. Nunca cheguei a vê-la, além de uma ponta de telhado.
A sebe era de pitangueira. Mas pitangas são frutas que se escondem:
eu não via nenhuma. Então, olhando antes para os lados para ver se
ninguém vinha, eu metia a mão por entre as grades, mergulhava-a dentro
da sebe e começava a apalpar até meus dedos sentirem o úmido da frutinha.
Muitas vezes na minha pressa, eu esmagava uma pitanga madura demais com
os dedos que ficavam como ensanguentados. Colhia várias que ia comendo
ali mesmo, umas até verdes demais, que eu jogava fora.
Nunca ninguém soube. Não me arrependo: ladrão de rosas e
de pitangas tem 100 anos de perdão. As pitangas, por exemplo,
são elas mesmas que pedem para ser colhidas, em vez de amadurecer e
morrer no galho, virgens.
Sexta-feira, Dezembro 05, 2003
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os pontinhos dizem, às vezes
mais que as palavras...
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ainda bem que inventaram o código morse!..
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e quem os deci-fra-sssssiiiiiii.....
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