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Terça-feira, Janeiro 27, 2004
...serão bonitas, não importa, são bonitas as canções...
eis um belo poema retirado do sítio do Chico .
Choro bandido
Edu Lobo - Chico Buarque/1985
Para a peça O corsário do rei de Augusto Boal
Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim
Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim
Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons
Sábado, Janeiro 24, 2004
jogos eletrônicos, eles estão bastante sofisticados... em meu tempo, e olha que não faz nem tanto tempo assim,
me satisfazia com um reles bob vai pra casa. hoje esses jogos fazem sangue quase verdadeiro em nossas
telas, viram matérias em páginas de grandes jornais, instigam a violência humana nos coraçõeszinhos de nossas tão
inofensivas crianças... (que mela mela horroroso...).
mas querer o que desse mundo onde as próprias relações amorosas se estabelecem por uma tela e um mouse ou webcam.
e-mails desconexos de como aumentar o tamanho de seu órgão sexual...
poesia internética, pirataria caótica, cópias de fotoggrafias, montagens, linha telefônia ocupada.
e o sangue pulsa na veia do menino inofensivo e explode na tela, manchando meu casaco quase branco. o menino não
é atingido, pelo contrário... atingido de quê?
Quarta-feira, Janeiro 21, 2004
PEQUENA REZA PARA PEQUENA
ei, anjo....
não se pertube no meu caos,
não se angustie em minhas dúvidas,
não chore minhas lágrimas,
não se desespere em minha estrada esburacada,
a vida do anjo e do
ser lunático que ele proteje
entram em linhave esquelético
perdendo prumo sem rumo sem ramo
sem clamo sem vamo sem sem sem sem
oh deus dos desgraçados
onde foste comprar aquela bala de hortelã?
deixaste seu anjo comigo
caminhaste pela praia e ficamos a nos torrar no sol.
costas vermelhas. como o pecado. o pecado da carne
que corrói por dentro a minha podridão.
anjo meu rezo em ti todas
as minhas angústias
faço errado. te machuco.
criemos então um campo de força.
uma cúpula radioativa.
proteje-te de mim
já que em mim a dor é humana.
Sábado, Janeiro 17, 2004
Prezados amigos....
desculpe-me a omissão, mas palavras não brotam
de minha vazia mente alterada...
O vazio consome o mundo carioca.
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__________________________).
As entrelinhas falam tanto quanto o código morse.
Essas linha me lembraram aqueles cadernos da escola, onde as palavras diziam:
Meu nome é:__________________________.
Eu moro na rua:__________________________.
Prof.:_____________________________.
Pai:.______________________________.
Mãe:______________________________.
Junte os pontinhos e logo depois pinte o desenho:
. ... .
. .. ... . . . .
. . . .. . . . . . .
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.... .´´´ ´.. ´´. ´´´... ´´ '' "" """ "
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EIS UM BELO TEXTO DE QUEM TEM ALGO PRA DIZER...
Um autor e um personagem: A célebre Dorianna se perde no canavial de paixões...
Tudo bem meu bem, tudo mal...entendo bem de medo e gozo...um dia acordamos e sentimos o tal vazio no peito...o coração roubado por um amor bandido...mas, e se os existencialistas tiverem razão e tudo não passar de um nada que vai sendo preenchido de nada? Eu imagino assim: por dentro vaga uma fissura entre os órgãos que pulsam...é nesse vazio que encontramos nosso verdadeiro eu, pelo menos, em estado bruto, sem a interferência do que deixamos fazer de nós... a medida que vivemos , essa fissura vai se entupindo com os escombros de uma existência dependente dessa concretude física para manifestar-se...quando os escombros chegam à tona, é a falência múltipla dos órgãos que pulsam...dependemos de estímulos, como aqueles ratos cobaias que vivem dentro de gaiolas...ok...viver é tão repetitivo, como as historinhas de Jesus carregando a sua cruz...mas onde estão as oliveiras do caminho? Quero sentar-me a sua sombra para fazer nada...fumar um baseado e ver as pessoas passando deixando rastros que por vezes passam rápido com um cometa que se arrasta na terra e levanta uma poeira que nos cega...outros passam em slow motion...custam a desaparecer, mas vão ficando pequenos, insignificantes, até que um dia eles não passam de uma pedrinha no grande escombro...eles passam, tudo passa...é mais uma pedra no meio do caminho...
Tudo bem meu bem, tudo mal...já dizia Drummond: o resto é barro, sem esperança de escultura.....
(Anna Bukowski)
Domingo, Janeiro 04, 2004
seu cheiro tem me rondado...
por onde andas hein?
com quem estás?
que boca beijas?
desisto não...
...........te querer.
"O seu olhar ,
seu olhar melhora,
melhora o meu..."
Sexta-feira, Janeiro 02, 2004
Gira com o mundo nossa bossa-solidão
Nova vida namorada
Cruzada de chegada
Mas que nunca chega não
Receita de Ano Novo
"Para você ganhar um belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo. Eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."
Carlos Drummond de Andrade
Quinta-feira, Janeiro 01, 2004
Depois de tudo
É chegado o novo ano.
Promessas, crenças, simpatias,
Patuás, Yemanjá...
Valha-me Deus Nossa Senhora
Segure nossos anseios e corações,
Ensina-nos novas orações, poesias e cânticos.
Suspire ao nosso lado, após cada suspiro da alma,
e acomanha-nos em cada nova empreitada de amor.
AMÉM!
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